minha vida de ernesto
Monday, July 12, 2004
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Monday, July 05, 2004
  hoje eu não tenho hora. eu e mais um monte de gente que vive sobre a vida. sobre a sua, sobre a de quem tem pra onde ir das oito às seis. eu também não tenho hora.
e também to vendo que quando fico assim, neguinha, o meu amor não dura. hoje eu te amo tanto tempo quanto o cigarro que já apagou.
e pra ser bem franco, não é que não tenha hora. nem que não tenha cigarro. muito menos o fósforo. não é que não tenha nada disso.
o que não tenho mais é como amar você.
é nessa mentira que vou vivendo. é nessa vontade de fazer o tempo parar ou mesmo fazer voltar. mas... não quero.
e também não quero seu choro, suas perguntas, seus telefonemas casuais.
eu quero ir embora, mas como é que dá, se voce não me deixa? deixa, meu amor, eu ir solto enquanto der. deixa minha cabeça ficar vazia um pouco. preciso de espaço.
me deixa.
hoje eu não tenho hora nem quero tempo. eu tô de bobeira.
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Monday, May 10, 2004
  a cidade segue sua ordem em seu espasmo cotidiano. ando até o ponto de onibus e o cheiro do churrasquinho me faz pensar em comida, em fome e em como estou quebrado.
do outro lado da rua, tem um garoto que pede umas esmolas. atravessou a rua fugindo dos carros e veio pedindo a todos até chegar em mim. perguntei se ele estava na escola. todos estão. perguntei se ele não pensava em sair da rua. ele queria, mas nao podia. o pai pedia o dinheiro todo fim do dia e se não tivesse, a mãe batia nele. o pai nunca. falei da obra, lá no galpão da avenida, que dava apoio para quem estava parado, curso, um monte de coisas. o menino tava só ouvindo, nem olhava pra mim. deu mais um tempo e chegou a irmã ou mãe. falei para ela também. me mandou tomar no cú e meu onibus passou.
caramba, que fome...
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Friday, May 07, 2004
  ernestos famosos da história - parte ii



ernesto sábato. sujeito legal. é outro ernesto argentino, já de rojas, na provincia de buenos aires.
sentou a bunda na cadeira muito tempo e fez doutorado em física para depois ir trabalhar em paris - de onde a américa do sul fica muito mais bonita - no laboratório curie.
depois, já de volta, envolveu-se com perseguições políticas numa ditadura do tal uriburu. picou a mula pruns cantos brabos, usando nome falso e tal. fato comum esse nas vidas de ernestos.
em 1933 era presidente da juventude comunista e começou a ter suas dúvidas quanto ao estalinismo. decidiu largar tudo em 1945 e dedicou-se totalmente à literatura. aí sim, veio sua grande contrbuição para a humanidade.

acompanhe:
...
"o céu era transparente e duro como um diamante negro. à luz das estrelas, a brancura do luar se espalhava por toda a imensidão desconhecida. o odor cálido e azedo da urida se misturava aos odores do campo. Bucich disse:
-- como é grande nossos país, pibe...
e então martin, contemplando a silhueta gigantesca do caminhoneiro contra o céu estrelado, enquanto mijavam juntos, sentiu uma que uma paz puríssima entrava pela primeira vez em sua alma atormentada.
fxo no horizonte, euquanto se guardava, bucich comentou:
-- bom, vamos dormir, pibe. às cinco da manhã acordaremos. amanhã, atravessaremos o colorado."

não parece muita coisa, mas leia mais em sobre héroes y tumbas (1961) ...  |
  outro dia eu estava passando pelo centro, ali pertinho de casa.
saí, andei meia hora e vi que alguns dos camelôs berravam, falavam alto e quando me dei conta, era a polícia passando o rodo.
e lá vinha mais um estrangeirismo: conflito de policia com ambulante, importado diretamente das paragens do rio, sao paulo, porto alegre, novaiórque.
para que isso? para que essa violencia, se já temos mais títulos nessa modalidade que qualquer outro lugar do país?
enfim, minha vida de ernesto anda atribulada.  |
Monday, May 03, 2004
  ando pensando seriamente sobre minha competencia. nao que eu tenha dúvidas - pelo menos não muitas - sobre ela. mas é que de vez em quando dá uma paúra de encarar novidades e desafios.
mais alguém?  |
Monday, April 26, 2004
  e como se não bastasse, tive a impressionante revelação de que eu sou um bosta na vida...
palavras de meu pai.
impressionante...  |
Thursday, April 22, 2004
  há muitas coisas que não sei. uma delas é o que acontece todos os dias com os gatos da minha rua. ao invés deles miarem por longas e sucessivas noites de cio, simplesmente somem.
e o vendedor de churrasquinho da esquina cada dia sorri mais e mais...  |
  o que vai acontecer com sua própria humanidade quando você deixa de reconhecer humanidade no outro?  |
frustrações anônimas e vitórias desmoralizadas. tudo aquilo que não quero que saibam sobre mim, mas que preciso deixar de fora. tudo o que preciso confessar, que é mais de mim. meu lado b. ou talvez meu proprio lado a.

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